sábado, 22 de abril de 2017

if i survive this
i'm gonna make so much poetry out of it
or i'm never gonna talk about it again

aparelho respiratório

meu vizinho tá morrendo e eu ouço do meu quarto. é de um aparelho respiratório que vem o barulho. eu nunca vi a cara dele mas sei que ele tá morrendo. eu ouço quando ele respira. e eu não respiro. é engraçado porque o meu aparelho respiratório não é de plástico. e não faz barulho. mas estamos os dois morrendo. porque falta ar. e quando a morte vir não vai me restar nenhuma memória além do som da dele. e o silêncio da minha.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

i cry and moan
in silence
because i don't want anyone to see me
when i'm raw

domingo, 15 de janeiro de 2017

não saio de casa há 14 dias
e não sei mais escrever o que me dói.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

i miss my mom

segunda-feira, 2 de maio de 2016

i want someone that won't fear my thunders
i want someone that will love my rain

I don't yell

do you know what I feel when I think about suicide?
relief
it’s the most soothing feeling
to know that I can leave whenever I want
if things get pretty bad
and it’s the most uncomfortable feeling
to know I can leave whenever I want
and things are pretty bad
yet I’m here

I feel so ashamed for still trying
after nineteen years of failing
I'm dumb enough to still try

I have nothing
all I've got are my wrists and these words coming out of them

you need to speak in a firmer voice
they're always telling me
but I won't speak in a firmer voice
what the hell a firm voice is?

is it how my dad talked to me when I was little
is it how my teacher told me I'd never amount to anything because of the way I am
or is it how the guy I loved didn't say a word when he left?

speaking firmly to broken minds

I don't want to talk to people in a scaring way
people have done that to me
I still do that to me

I wish I could shrink myself to the size of a peach

then it'd be quiet

the quiet quietness lying over me

a sun beam parking aside my ear

and the tears.

nothing more than a confused, anger blur.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

datado quatorze de julho

"são seis e dez da manhã. acho que ouvi o carro do vizinho saindo. tá tocando aquele instrumental e eu tava pesquisando meu céu do horóscopo, ou algo assim. mas desisti. não entendo nada dessas coisas de alguém entender mais de mim do que eu. 
eu tô tão triste. de tristeza cinza.
parece que nada mais cabe em mim. nem minhas roupas, nem o presente, nem o que sinto quando toca esse instrumental. senti tanto sua falta duas horas atrás. é que você sempre surge nesse horário. e é só te ver pra tocar esse instrumental. ou só achar que te vi. na festa junina, no protesto estudantil, na porta da zara. é só te ver em alguém e arcade fire começa a rir no meu ouvido. essa sua cara comum. e rara. de beleza transcendental. eu falo seu nome com uma calma tântrica que preenche a sala. porque devo te querer assim, calma.
há quanto tempo preciso te escrever uma carta, um bilhete, uma anotação num post-it que comporte meu".

te achei num bolsinho da carteira. devo ter escrito isso bêbada de sono. porque nunca fui na zara. mas sempre te vi em outras pessoas.
não sei como termina aquela sentença. não escrevi.
o instrumental ainda toca.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

em desabrigo

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todos os meus amigos não sabem o que fazer
mas continuam fazendo a única coisa que sabem

detestar o sol
e se esconder da chuva

e em duas décadas
a vida é um teto

terça-feira, 27 de outubro de 2015

o silêncio do meu voo

o dia nublado
e o barulho do avião
passando sobre as nuvens
longe

sexta-feira, 16 de outubro de 2015