terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Fake plastic love.

Quando eu voltar a cantar, cantarei para você. Passarinhos nunca perdem o dom ao menos que engaiolados. Isso não seremos, você sabe. Além do mais, grade nenhuma é pário para nossos demônios.
Cheguei a beira do abismo e não senti frio nenhum nas entranhas. Você corroeu o meu procriador de adrenalina, porém, não me sinto morta. Imune, talvez.
Um dos nossos grandes problemas é não possuirmos mais preparo físico. Dois eternos cansados, indispostos.
Suas mãos bonitas me arrastaram para lugares que eu não conhecia e que você nunca irá conhecer. Infernos particulares e comunitários. Você me levou ao auge do "se" e me largou, assim, como eu sempre soube que largaria, no beco da praça que nunca te vejo voltar.
Quanto pior os hematomas, maior a certeza de que o salto foi extraordinariamente impecável. Ganhei dez anos de vida e morri todos eles com você.
Ópio.
Tudo continua existindo sem os seus olhos, mas é impagável observar-los de um ângulo que talvez somente eu conheça.
De perto somos iguais, da mesma altura, do mesmo formato, de mesmo odor, com a mesma voz alucinógena, mas, de longe, você é infinitamente maior que eu. Não me faz te acertar no meio da testa uma pedra que eu não faço ideia como segurar só para receber seu ódio porque, se não conseguir, ela cai em cima de mim e esmaga os poemas. Ou já caiu.
Daqui há meia hora estarei entorpecida e avistando desenhos seus nas paredes, novamente.
Espero sua carta, seu testamento. Espero você como quem espera o canto de um passarinho sem asas. 


(Yasmin) 

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