sábado, 29 de dezembro de 2012

To die by your side. Such a heavenly way to die.

Sua mania maldita de não voltar mesmo com os meus gritos e muito menos obedecer minhas leis me leva ao inferno. Você, o filho da puta que nem sequer olha para trás retrocedendo a decisão de me abandonar. Dá para sentir minha própria alma na garganta, implorando a fuga pelo vômito porque, dentro de mim, não é um lugar agradável para se morar quando você me vira as costas, finge que não sente os vidros se estraçalhando no seu corpo ensanguentado e vai embora, some. Não sei o que eu viro, qual o nome do meu monstro. Provavelmente você também não saiba, mas o conhece bem. Compartilhamos o mesmo desespero mental, as mesmas garras afiadas fincadas no subconsciente. Não sei quem te cura, mas é trabalho incompleto. Aliás, você tem alguém para te curar? Porque eu não, Tyler, eu não. A eterna doente que ninguém quer realmente chegar perto e, muito menos, se dispor à cuidados. Só gozos breves.
Tenho pesadelos tão ruins que chego a aceitar a ideia de que demônios existem e eles estão pregados no teto do meu quarto, agora mesmo. Assiduamente acordo assustada e choro por não poder te ligar e ser acalmada pela sua voz quase sussurrando que é só o vento lá fora.
Ainda te faço feliz na minha ditadura e te dou a mão para a revolução, dear. Revolução de nós mesmos, talvez.
Não olha para trás, eu não tô lá. Se liga no chão, não quebra os dentes. A cota de gente que te olha é enorme. Que te vê, nem tanto.
Continuo te achando nos livros, em personagens secundários. Provavelmente você nunca será o meu protagonista, nem eu a sua, mas quero viver contigo, por um tempo. Só para te ver acordando, escrevendo, fumando, sofrendo. Minha velhice espera pelas lembranças que teremos juntos, como um clichê que vale a pena.
Infelizmente não sei sonhar, não me vejo velha, não planejo futuro nenhum e corro léguas do piegas. É tudo um bonito e desastroso desatino.
Podemos vivê-lo juntos, ou já vivemos?
Volta logo, meu mundo precisa saber da sua (exímio) existência e dos seus trinta modos de como passar a perna na minha solidão.

(Yasmin Diniz)

Nenhum comentário:

Postar um comentário