terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Não sei sonhar, queria pedir o seu ombro.

Eu durmo muito mal, posso te contar como funciona isso? Quinze horas de sono nunca são o suficiente porque acordo sempre cansada. E, não, esse não é um apelo dramático ao meu (inexistente) cansaço de viver. É só o fato de que não sei descansar, nunca. Quando durmo, tenho a impressão de que viajei quinhentos mundos. Acordo exausta. Sou a exaustão de olhos e sangue ralo. Queria te contar isso. Não sei sonhar. Meus planos psicodélicos duram no máximo dez minutos porque a lúcidez, a filha da puta da lúcidez, não desgruda das minhas paredes. Já ouvi inúmeras vozes me contarem que isso é uma virtude, um presente ganhado de sei-lá-qual-deus no meio desses deuses todos por aí. Também acho, mas não o tempo todo. É medíocre e lixoso não saber assimilar imaginação à esperança. Aliás, tenho as duas de sobra, porém não sei (e não gosto) de compactá-las. Às vezes, só às vezes, desejo possuir um cérebro completamente virgem, ingênuo e que não exale odor de precocidade. Algo leve. Sonhar deve ser muito bom, muito salvatório, muito primavera.
Mas eu tenho fascínio pelo outono.

(Yasmin Diniz)

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