sábado, 29 de dezembro de 2012

“Nasce bebê com dois cérebros e nenhum coração”, dizia o apresentador babaca do jornal.

Te olhar, assim, em fotos por aí, acompanhado de pessoas que eu não conheço, me faz pensar que eu não te conheço também. Seu rosto é completamente estranho nas minhas lembranças. “Quem é esse cara que eu vi poucas vezes na vida e amo?”. Quem é você? Só me responde isso, só desata o nó dessa incógnita. E não, não quero saber quem é você pra si nas suas filosofias baratas. Quero descobrir quem é você na minha vida. Qual seu propósito no meus sonhos rápidos e frustrados?
Não seja só mais um. Provavelmente, é isso que peço desde quando te olhei com olhos diferentes. Você é a terceira pessoa que me desperta fogo no caos, e eu gosto de números ímpares. Não seja só mais um, apesar de já ser. Todo mundo é só mais um. Eu, você, sua ex, o Barack Obama e o velho Hank. Só mais um, uns.
Faz algo que preste na merda da sua vida e fode a minha. Mais, fode mais, bem mais do que já fodeu. Fode direito, com vontade, presente. Não desarruma minhas coisas de longe, como se seu estado embrigado te colocasse em posição de otário. Não me morde e deixa esse roxo medíocre que desaparece em alguns dias. Desemperra a teoria e não seja só mais um.
Por que diabos eu tenho vontade de estragar minha vida toda contigo?
Não é hipérbole porque eu sei que nós juntos somos um estrago desconhecido, pra nós, pra eles, pra desordem e pra ordem. Ninguém apóia nosso laço, nem a gente. Uma merda, um acaso da vida completamente malquisto.
Nosso amor é o filho que nasceu mesmo com tentativas de aborto.

(Yasmin Diniz)

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